Dois Fernandos Pensadores Conversam na Imaginação da Inteligência Artificial: Pessoa e Sabino.

Uma das citações mais pragmáticas sai da pena do pensador Fernando Sabino:

De tudo ficaram três coisas…
A certeza de que estamos começando…
A certeza de que é preciso continuar…
A certeza de que podemos ser interrompidos
antes de terminar…
Façamos da interrupção um caminho novo…
Da queda, um passo de dança…
Do medo, uma escada…
Do sonho, uma ponte…
Da procura, um encontro!

Com a frustração do fim dum poema tão verdadeira e a ajuda da inteligência artificial, conseguimos mais umas palavras que o pensador do Fernando nunca pensou:

Do silêncio, uma canção…
Da morte, uma vida…
Do nada, uma luz…
Do tudo, um Deus…
E passemos aos outros o que recebemos...

Otro Fernando pensador e inspirador e Fernando Pessoa. Escolhei um poema breve e complexa para desafiar a Inteligencia Artificial.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Nem eu consigo perceber o sentido completo então nem posso juzcar a os últimos versos gerados pela inteligência artificial.

E quando o poeta morre,
Como se fosse um fingido,
Ele é pago pelo fingido,
É pago com o que fingiu.

Em fim, se deixarmos os Fernandos conversar o que seja dito?

Dois Fernandos. Dois pensadores. O Fernando Pessoa e o Fernando Sabino conversam sobre o sentido da vida:

Pessoa: — O que é a vida?
Sabino: — A vida é um momento de agonia.
Pessoa: — E o que é a agonia?
Sabino: — É um momento de vida.
Pessoa: — Mas a vida é ainda mais agonia do que momento agoniado!
Sabino: — Exatamente!
Pessoa: — Mas quem é você, afinal?
Sabino: — Sou você, quem você pensa que sou?
Pessoa: — Mas eu sou quem eu penso que sou.
Sabino: — Não, você é quem eu penso que você é.
Pessoa: — Mas você não é eu.
Sabino: — Mas você é quem eu penso que você é.
Pessoa: — Mas sou uma pessoa, e não uma coisa.
Sabino: — Não, você é uma coisa, e não uma pessoa.
Pessoa: — Mas eu não gosto dessa situação.
Sabino: — Isso é problema seu.
Pessoa: — Mas o que é eu?
Sabino: — Você é aquele que não gosta dessa situação.
Pessoa: — Mas eu gosto.
Sabino: — Então você é o que eu penso que você é.
Pessoa: — Mas você pensa que eu sou o que eu penso que eu sou.
Sabino: — Mas não tenho certeza.
Pessoa: — Mas eu tenho certeza.
Sabino: — Mas você pensa que tenha certeza.
Pessoa: — Mas eu tenho certeza de que tenho certeza.
Sabino: — Mas você pensa que tem certeza de que tem certeza de que tem certeza.
Pessoa: — Mas eu tenho certeza de que tenho certeza de que tenho certeza de que tenho certeza.
Sabino: — Mas você pensa que tem certeza de que tem certeza de que tem certeza de que tem certeza.
Pessoa: — Mas você tem certeza de que tem certeza de que tem certeza de que tem certeza de que tem certeza de que tem certeza de que tem certeza de que tem certeza de que tem certeza de que tem certeza de que tem certeza de

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